quinta-feira, 7 de junho de 2012

Criadas de Servir

(Arouca) - As raparigas que deixavam a terra para servir, tinham como destino as cidades do Porto, Gaia, Maia e outras terras adjacentes ao Porto.

Partiam à procura de uma vida mais desafogada. Esperavam um dia regressar como esposas e mães dignas de uma sociedade sóbria e cortês, como era usual naquela época. Pensavam que só na cidade grande encontrariam o rapaz dos seus sonhos, o amor da sua vida.

Muitas pensavam em seus ideais construindo um lar em um abrigo abastado. Outras mulheres o acaso lhe pregava o imprevisto, cheias de desilusões e ameaças.

Mal pagas, voltavam com um filho nos braços, enganadas ou desonradas pelo patrão e seus filhos. Uma mãe solteira era considerada mulher de "má vida", sem lugar entre a sociedade de "bem". Cabisbaixas, eram olhadas maldosamente por outras pessoas e maltratadas por familiares, sobretudo por parte do pai que via a situação da filha como uma desgraça que lhe entrara portas a dentro.

O maior números de mães solteiras era freqüente nas raparigas pobres ou criadas de servir.

Segue abaixo um trecho de um poema, que ilustra muito bem como as pessoas da época tratavam e se dirigiam às criadas de servir. Recolhido no lugar de Fermedo, retrata o diálogo entre um vendedor de tecidos e uma criada de servir:

- Diga-me ó menina Arminda
Se na cidade tem alguém?
Deve arranjar um namoro
Como todas as mulheres têm.

- Eu não quero me casar
Segundo à fortuna que se vê
Que d'hoje em dias os homens
Só quer q'uas as mulheres le dê.

- Isso não são homens, são canalha
Tratam-se por rapazinhos
Que às mulheres só podem dar
Abraços e beijinhos.

- Aos homens maliciosos
Nunca lhe faltam cantigas
São diabos infernais
Perdição das raparigas
Quantas moças desgraçadas
São por eles perseguidas.

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