quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Feira das Colheitas - História

(Arouca) - A primeira edição da Feira das Colheitas aconteceu no ano de 1944. Em meio a Segunda Guerra Mundial, a produção de alimentos era excassa. A fome, situação constante na vida dos agricultores, era fator agravante.

Para contornar o problema, o Grêmio da Lavoura presidido por António de Almeida Brandão, criou a Feira das Colheitas. Com o objectivo de incentivar a produção agrícola, foram criados quatro concursos: Melhor Seara, Melhor Fruta, Melhor Adega e Melhor Linho. Integrou-se o concurso já existente da Raça Bovina Arouquesa, tornando estas cinco competições, os pilares fundamentais e incentivadores da feira. 

O concurso da Melhor Seara, foi o que trouxe rapidamente melhores resultados. Permitiu um grande intercâmbio de técnicas e experiências, gerando imediato aumento da produção de cereais.

A Feira das Colheitas serviu de arranque ou incentivo a associações locais, de acordo com o segmento agrícola, industrial ou cultural da região. As tradições populares, foram acrescentadas na programação do evento na forma de Exposição de Artesanato e na criação de grupos regionais que recriavam costumes e tradições pouco praticadas ou praticamente extintas no concelho.
 

Cartaz - 1976
Santa Eulália, Chave, Rôssas, Moldes e Canelas foram as freguesias que organizaram os primeiros agrupamentos. Em um primeiro momento, o improviso quanto a prática e a técnica folclórica, serviu de guia para estes grupos. Mas esta iniciativa inovadora, motivou a criação e/ou a manuteção dos Grupos Folclóricos nascidos em 1944, muitos deles existentes até hoje. 

Com o passar dos anos, a Feira das Colheitas deu nova forma às Exposições, que foram muito enriquecidas em qualidade e variedade de produtos, ajustando as normas dos concursos a novas realidades, imprimindo à festa mais brilho e colorido, sem nunca esquecer que a mesma se há-de basear no regionalismo e ter no folclore um dos seus pontos altos.
 
Albano Ferreira, etnógrafo arouquense, relata o sucesso que a Feira das Colheitas já tinha após 16 anos da sua fundação em 1944:
 

"A Feira das Colheitas deixou já de ser um acidente na vida do concelho, porque se tornou no acontecimento, na «realidade» da nossa terra. O que ontem foi ou teria sida uma tentativa ou uma experiência transformou-se já numa tradição radicada, que não pode perder-se nem abastardar-se, mas antes manter-se viva e engrandecida. É hoje, sem dúvida, a maior festa - porque de festa, afinal, se trata - a mais querida e ansiada de toda a gente: - para os lavradores como obra sua e revelação das suas possibilidades e do seu esforço; para o comércio a única oportunidade grande para o seu negócio; para a gente moça ocasião de mostrar as suas graças no palco da Praça e para os forasteiros motivo de atracção ou curiosidade ou, como hoje se diria, de cartaz de uma terra antiga e cheia de tradições". (Albano Ferreira, em Jornal «Defesa de Arouca», nº274, Ano 6 (2ªSérie), 8 de Outubro de 1960) 

Antonio de Almeida Brandão, escreveu posteriormente alguns detalhes que captou no primeiro ano de Feira das Colheitas, em 1944. Segue trecho a seguir: 

"Os organismos da Feira das Colheitas prestaram ao folclore esse enorme serviço – um altíssimo serviço – fazendo ressurgir das cinzas do passado os costumes, as danças, os cantares e o próprio trajo, há muito em desuso. E os futuros ranchos, todos eles, aqui vieram receber o seu baptismo na prática do folclore.Uma excepção apenas existiu e essa deu-a um pequeno núcleo de gente serrana, vivendo isolada no alto da Freita, lugar do Merujal, onde nunca deixou de se praticar o mais puro e genuíno folclore. Dirigidos pelo velho Joaquim Campos, contador de nomeada, agora cego e doente, sempre requestado para todas as funções de aldeias de mais fama no seu tempo, ali, no ponto mais alto da Serra da Freita, nunca deixou de se cantar e dançar a primor as lindas modas da região. Os outros ensaiaram-nas e aprenderam; estes beberam-nas com o leite materno.

Quando, pela primeira vez, o Rancho do Merujal – este, sim, que foi sempre um verdadeiro ranchos e apresentou na Feira das Colheitas, os homens rudes com o seu fato de burel, coçado de o trazerem a uso, e as mulheres vestidas de saia de serguilha, a cheirar ao avelhum dos seus rebanhos, mas dançando e cantando a preceito, a surpresa foi enorme e os aplausos irromperam vibrantes, parecendo não mais ter fim.

O Senhor da Pedra, o Malhão, o Verdegar, o Vira da Serra, e tantas outras modas que fizeram a delícia dos nossos avós e ainda apreciamos, sempre tiveram no Rancho do Merujal um intérprete fiel e expressivo, como é raro encontrar-se. Desta maneira, ele foi exemplo e mestre de tantos que com este afamado grupo aprenderam a praticar o folclore." 

De 27 a 30 de setembro de 2012, Arouca tem muito para oferecer a quem vos visita: Produtos do Campo, Gastronomia e Doçaria tradicional e conventual, Artesanato, Música, Dança, outras Expressões Artísticas, Criatividade, Trabalho, Lazer e espírito Empreendedor. Sejam Bem vindos!

Sem comentários:

Enviar um comentário

Participe! Todos os comentários seráo lidos e respondidos.