(Arouca) - Será inaugurado no próximo dia 03 de novembro às 15:30, o Centro de Interpretação e o núcleo museológico das Pedras Parideiras. A estrutura também é composta por um percurso pedonal de visita, em torno da pedra principal de afloramento. Obra orçada em cerca de 190 mil euros, financiada em cerca de 60% pelo programa PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural), medida 3.1, gerido localmente pela ADRIMAG.terça-feira, 30 de outubro de 2012
Centro de Interpretação das Pedras Parideiras
(Arouca) - Será inaugurado no próximo dia 03 de novembro às 15:30, o Centro de Interpretação e o núcleo museológico das Pedras Parideiras. A estrutura também é composta por um percurso pedonal de visita, em torno da pedra principal de afloramento. Obra orçada em cerca de 190 mil euros, financiada em cerca de 60% pelo programa PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural), medida 3.1, gerido localmente pela ADRIMAG.Pedras Parideiras da Castanheira
(Arouca) - Na aldeia da Castanheira, freguesia de Albergaria da Serra, ocorre o mais famoso fenômeno geológico de Arouca, conhecido por Granito nodular da Castanheira ou de maneira popular por Pedras Parideiras.
As Pedras Parideiras. são fruto de um fenômeno geológico raro, onde um pequeno tipo de pedra, se desprende de uma rocha maior, denominada rocha-mãe.
Os nódulos (encraves ou jogas) que se separam, possuem de 1 a 20 cm. de diâmetro, e são compostas pelos mesmos elementos mineralógicos do granito. Estes nódulos ao se desincrustarem dos núcleos da rocha-mãe, deixam uma camada externa em baixo relevo e espalham-se à volta desta. Transformadas a cerca de 280 a 320 milhões de anos, encontram-se sempre emparelhadas em rocha mãe e filha, que se vão soltando com a erosão dos tempos.
O granito da Castanheira é considerado uma "anomalia" do granito da Serra da Freita. Em 1993, três geólogos do Reino Unido publicaram um estudo sobre a génese deste granito. Concluíram que a sua formação terá ocorrido devido à separação, na fase final da cristalização magmática do granito, de um fluido cloretado rico em voláteis. No processo ter-se-à gerado um gradiente químico na interface magma / bolha de voláteis, que favoreceu a complexação e a mobilização de ferro do magma residual. A bolha, menos densa que o magma, terá ascendido, ficando como que a flutuar no tecto desta porção da câmara magmática.
Este tipo de granito é único em Portugal e raro no mundo. Estão situadas na Serra da Freita em Portugal e na Rússia, perto de S. Petersburgo. Por se tratar de um fenômeno raro, pede-se aos visitantes destes locais que não recolham pedras para uso pessoal. Mitologicamente as Pedras Parideiras simbolizam a fertilidade na tradição da região, ainda presente nas crenças locais. Acredita-se que dormir com uma pedra parideira debaixo da almofada, aumenta a fertilidade.segunda-feira, 8 de outubro de 2012
68º Feira das Colheitas - "Instantâneos"
(Arouca) - Chega ao fim mais uma edição da Feira das Colheitas. A festa e feira mais aguardada do ano, seja em nosso Concelho ou Distrito, tem o poder de crescer, se reinventar e divulgar a cultura e vida do povo arouquense, misturando aspectos do passado ao presente.
Em uma Vila renovada e levemente modernizada, a Feira das Colheitas sofreu um enorme salto de qualidade, seja nos aspectos visuais, estruturais e consequentemente, na qualidade de tudo que nos foi apresentado. Deixamos registados em imagens os instantâneos deste ano. Ansiosos, esperamos a próxima edição, desejando os melhores votos econômicos e festivos, sem nunca perder a simplicidade e alegria do povo arouquense.
Fotos: Município de Arouca/ Flanklim Ferreira - Montagem: António Gabriel (Folclore de Arouca)
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Feira das Colheitas - História
(Arouca) - A primeira edição da Feira das Colheitas aconteceu no ano de 1944. Em meio a Segunda Guerra Mundial, a produção de alimentos era excassa. A fome, situação constante na vida dos agricultores, era fator agravante.Para contornar o problema, o Grêmio da Lavoura presidido por António de Almeida Brandão, criou a Feira das Colheitas. Com o objectivo de incentivar a produção agrícola, foram criados quatro concursos: Melhor Seara, Melhor Fruta, Melhor Adega e Melhor Linho. Integrou-se o concurso já existente da Raça Bovina Arouquesa, tornando estas cinco competições, os pilares fundamentais e incentivadores da feira.
A Feira das Colheitas serviu de arranque ou incentivo a associações locais, de acordo com o segmento agrícola, industrial ou cultural da região. As tradições populares, foram acrescentadas na programação do evento na forma de Exposição de Artesanato e na criação de grupos regionais que recriavam costumes e tradições pouco praticadas ou praticamente extintas no concelho.
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| Cartaz - 1976 |
Com o passar dos anos, a Feira das Colheitas deu nova forma às Exposições, que foram muito enriquecidas em qualidade e variedade de produtos, ajustando as normas dos concursos a novas realidades, imprimindo à festa mais brilho e colorido, sem nunca esquecer que a mesma se há-de basear no regionalismo e ter no folclore um dos seus pontos altos.
Albano Ferreira, etnógrafo arouquense, relata o sucesso que a Feira das Colheitas já tinha após 16 anos da sua fundação em 1944:
"A Feira das Colheitas deixou já de ser um acidente na vida do concelho, porque se tornou no acontecimento, na «realidade» da nossa terra. O que ontem foi ou teria sida uma tentativa ou uma experiência transformou-se já numa tradição radicada, que não pode perder-se nem abastardar-se, mas antes manter-se viva e engrandecida. É hoje, sem dúvida, a maior festa - porque de festa, afinal, se trata - a mais querida e ansiada de toda a gente: - para os lavradores como obra sua e revelação das suas possibilidades e do seu esforço; para o comércio a única oportunidade grande para o seu negócio; para a gente moça ocasião de mostrar as suas graças no palco da Praça e para os forasteiros motivo de atracção ou curiosidade ou, como hoje se diria, de cartaz de uma terra antiga e cheia de tradições". (Albano Ferreira, em Jornal «Defesa de Arouca», nº274, Ano 6 (2ªSérie), 8 de Outubro de 1960) Antonio de Almeida Brandão, escreveu posteriormente alguns detalhes que captou no primeiro ano de Feira das Colheitas, em 1944. Segue trecho a seguir:
"Os organismos da Feira das Colheitas prestaram ao folclore esse enorme serviço – um altíssimo serviço – fazendo ressurgir das cinzas do passado os costumes, as danças, os cantares e o próprio trajo, há muito em desuso. E os futuros ranchos, todos eles, aqui vieram receber o seu baptismo na prática do folclore.Uma excepção apenas existiu e essa deu-a um pequeno núcleo de gente serrana, vivendo isolada no alto da Freita, lugar do Merujal, onde nunca deixou de se praticar o mais puro e genuíno folclore. Dirigidos pelo velho Joaquim Campos, contador de nomeada, agora cego e doente, sempre requestado para todas as funções de aldeias de mais fama no seu tempo, ali, no ponto mais alto da Serra da Freita, nunca deixou de se cantar e dançar a primor as lindas modas da região. Os outros ensaiaram-nas e aprenderam; estes beberam-nas com o leite materno.
Quando, pela primeira vez, o Rancho do Merujal – este, sim, que foi sempre um verdadeiro ranchos e apresentou na Feira das Colheitas, os homens rudes com o seu fato de burel, coçado de o trazerem a uso, e as mulheres vestidas de saia de serguilha, a cheirar ao avelhum dos seus rebanhos, mas dançando e cantando a preceito, a surpresa foi enorme e os aplausos irromperam vibrantes, parecendo não mais ter fim.O Senhor da Pedra, o Malhão, o Verdegar, o Vira da Serra, e tantas outras modas que fizeram a delícia dos nossos avós e ainda apreciamos, sempre tiveram no Rancho do Merujal um intérprete fiel e expressivo, como é raro encontrar-se. Desta maneira, ele foi exemplo e mestre de tantos que com este afamado grupo aprenderam a praticar o folclore."
De 27 a 30 de setembro de 2012, Arouca tem muito para oferecer a quem vos visita: Produtos do Campo, Gastronomia e Doçaria tradicional e conventual, Artesanato, Música, Dança, outras Expressões Artísticas, Criatividade, Trabalho, Lazer e espírito Empreendedor. Sejam Bem vindos! sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Festa em honra da Srª da Mó - 7 e 8 de setembro 2012
Principalmente no dia 8, ou
durante todo o mês de Setembro, é designada e festejada, entre muitas
outras denominações e localidades, por Nossa Senhora da Piedade
(Caniçal, Machico, ilha da Madeira); dos Remédios (Lamego); da Ajuda
(Arranhó, Arruda dos Vinhos); da Encarnação (Buarcos, Figueira da Foz);
da Luz (Lagoa, Algarve); de Aires (Viana do Alentejo); das Dores (Ponte
de Lima); da Cola (Ourique) e da Mó (Arouca).
Em Arouca, Nossa
Senhora da Mó é considerada advogada dos campos, das colheitas e dos
animais e protectora contra as secas e as trovoadas. Diz-se
também que a Senhora «tem mais seis irmãs», por igual número serem as
ermidas de invocação mariana que se avistam da sua capela, localizadas
nos montes em redor: Senhora do Monte; Senhora da Laje; Senhora das
Amoras; Senhora do Castelo; Senhora Guia e Santa Maria do Monte.
Hoje, em vez das
fogueiras da noite do dia 7, o povo reúne-se na chamada «Casa da Ceia»,
ao lado da capela, para tomar parte na já tradicional «bacalhoada
arouquense» a lembrar, talvez, os piqueniques de tempos idos. No dia 8 é
celebrada missa pelas onze horas, seguida de procissão, a cumprir o
ritual de dar a volta ao antigo cruzeiro.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Lenda da Casa de "Cella" - Fermedo
(ATUALIZADO) - Na continuação de nosso trabalho para a divulgação da cultura e etnografia arouquense, cometemos um grande equívoco. Ao encontrarmos recentemente pela internet, uma lenda sobre a Casa De Cela, associamos erroneamente a capela e a Casa de Cela de Urrô, com a capela de mesmo nome pertecente à freguesia de Fermedo. Fomos alertados por um leitor que apesar de "anónimo", estava correto. A partir disto, iremos transcrever por completo o texto que Pinho Leal escreveu em seu livro sobre algumas freguesias com nome de "Cella", contando-nos especialmente uma lenda sobre a freguesia do nosso Concelho:Cella - aldeia, Douro, freguezia de Fermedo, concelho, comarca e 12 kilometros a O d'Arouca e 32 kilometros a SE do Porto, 5 ao S. do rio Douro, 230 ao N. de Lisboa, 10 fogos. Bispado do Porto, districto administrativo d'Aveiro.
É povoação antiquíssima, em frente e 2 kilometros a O d'Almançor (tambem aldeia antiquissima) entre as duas povoações o rio Arda, que aqui perto tem uma boa ponte de madeira.
"É tradição que uma senhora, morrendo-lhe um mancebo com quem estava para casar, tomou grande sentimento e jurou não casar com outro, fazer voto de castidade e encellar-se.
Andou por estas montanhas examinando um sitio que lhe agradasse, e chegando aqui, mandou fazer uma cella onde se emparedou, até ao fim de seus dias. Depois de morta foi tida por santa e se transformou a sua cella em ermida da invocação do Senhor dos Afflictos, em memoria das afflicções que a santa soffreu com a morte do seu noivo"
Tem uma capella, feita em 1420 (á custa do povo e do donatário de Fermedo) da invocação do Senhor dos Aflictos. Ha n'ella missa todos os domingos e dias santificados, dita por um capellão pago pelo povo do logar e circumvisinhos. Faz-se todos os annos uma festa e romaria, muito concorrida, á imagem de Nosso Senhor dos Aflictos.É situada na lombada de uma serra, sem vista para outras partes (além de d'Almançor) por ser cercada de serras ainda mais altas. É terra pobre e desabrida; produz algum optimo azeite e vinho verde, muito bom; do mais pouco.
Há em Portugal mais 26 aldeias do mesmo nome, sem cousa notavel."
Fonte:
PINHO LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Portugal Antigo e
Moderno Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006
[1873] , p.tomo II, p. 231. Local Fermedo, AROUCA, AVEIRO.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
30º Festival Internacional de Folclore - 15 a 18 Agosto
(Arouca) - Divulgamos aqui a programação do 30º festival Internacional de Folclore organizado pelo Conjunto Etnográfico de Moldes.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Casa de Cela - Urrô
(Arouca) - A Casa de Cela, é um solar do Séc. XVIII que pelas suas características arquitectónicas interiores e exteriores, é sempre referenciada como um dos valores patrimoniais do concelho e do distrito de Aveiro. Integra um dos curiosos exemplares de casa com capela anexa existentes em nosso distrito.
A estrutura da capela é composta de cinco altares e o altar maior está ornado com talha dourada.
Atualmente a Casa de Cela foi transformada e classificada em uma unidade de Turismo de Habitação, com diversas características de época mantidas, como mobiliários, pinturas, estrutura e está localizada na freguesia de Urrô.
Telefone: 256946831
Cela - Urrô - 4540-645 - Arouca
Email: casadecela@hotmail.com
segunda-feira, 16 de julho de 2012
"Canta" - Eu venho dali de baixo
(Arouca) - Hoje podemos dizer que este gênero de patrimônio musical, apesar de permanecer na memória de muitos arouquenses, teve o seu habitat natural extinto. Músicas e cantigas que antes estavam ligadas as ativiidades diárias do arouquense, hoje são dependentes de duas situações possíveis:
- Etnomusicólogos e Pesquisadores: Pessoas interessados em estudar a música, que para isso convidam pessoas que ainda sabem cantar e que reunem-se especificamente para este fim;
- Situações de reconstituição: Eventos organizados por grupos folclóricos, grupos de cantares, associações ou instituições públicas.
Desta forma, não podemos dizer que o patrimônio musical arouquense ou de qualquer outra localidade portuguesa esteja desaparecido, mas sim, a sua expressão e reconstituição está dependente da solicitação de outras pessoas, entidades ou motivações que tenham objetivos próprios, muitas vezes, executadas em locais pouco ou nada semelhantes com a localidade das cantigas no passado.
A canta deste post chama-se "Eu Venho dali de Baixo". Teve a gravação efetuada no Centro Cultural de Rossas, no dia 5 de março de 2005. É uma canta
de autoria desconhecida, realizada pelas seguintes senhoras: Maria
Emília Brandão, Cristalina Ribeiro, Luciana Gomes, Emília Rodrigues,
Carla Almeida e Maria Emília Gomes. Para ouvir, basta encontrar a música
no tocador ao lado. Abaixo seguem as estrofes e uma breve análise:
Eu venho dali de baixo
De regar o meu nabal.
Inda trago uma folhinha no laço do avental
Inda trago uma folhinha no laço do avental. (1)
No laço do avental
Na renda do meu vestido.
Oh prima eu vou pra guerra deixa-me dormir contigo
Oh prima eu vou pra guerra deixa-me dormir contigo. (2)
Deixa-me dormir contigo
Numa noite não é nada.
Eu entro pelo escuro saio pela madrugada
Eu entro pelo escuro saio pela madrugada. (3)
Nem entras pelo escuro
Nem sais pela madrugada.
Que eu sou rapariga nova não quero ser difamada
Que eu sou rapariga nova não quero ser difamada. (4)
Não quero ser difamada
Nem por tí nem por ninguém.
Não quero dar o desgosto à filha que meu pai tem
Não quero dar o desgosto à filha que meu pai tem. (5)
A filha que o meu pai tem
A filha que o meu pai tinha.
Não quero dar o desgosto a minha rica mãezinha
Não quero dar o desgosto a minha rica mãezinha. (6)
Esta cantiga, está basicamente ligada a algumas caractéristicas que já abordamos aqui. Possui temática agrícola (estrofe 1), um segundo sentido da palavra (estrofe 2 e 3), as vozes que "botam" (todas as estrofes), ausência de refrão e repetição da última linha da estrofe anterior (característica das Cantas), e a preocupação das mulheres em serem difamadas (estrofes 4, 5 e 6), medo recorrente de todas as mulheres daquela época, especialmente destratadas por familiares e outras pessoas próximas. Para relembrar outras situações e explicações, podem entrar em "Canta" - No Alto Daquela Serra e Criadas de Servir.
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